
3
(nov. 07)
Todos os Santos
Mote
Para onde vão os rios de Inverno
Quando desceu o amor dos beirais
Em forma de pássaro?
Amo ainda homens de coração
aberto (tri)angular aventuroso
combato o sono escrevendo
Amo homens de coração vasto
peito rasgado, digo
que afinal isto e aquilo
aqueloutro para cima
para os lados repiso
e entristeço
Pois tudo isto
para quê?
se já sabemos
teres tu falta de certezas
de palavras de sentido
e eu pouco recato.
Ora, se é comunhão
aquilo que nos une
desejo de contar
cantar até
mas só dizes
quando de repente
porque sim
naquele instante
e a mim sempre
(despudorada)
me apeteces
certeira queda
mais súbitas coisas
de um salto,
orelhudas rasteiras
e tudo tudo tudo
mais que sabes
e aquilo que escrevi
nos meus cadernos
sobre nós
hei-de escrever
ainda certamente.
Que não conheço o desamor
mas sei amar,
nem percebo teu orgulho circunspecto,
breve iluminado de olhar e gesto:
mas tocar o corpo não as mãos não os
lábios não o peito não nem os pés,
ou falar demais abrir os braços,
a evitar certos temas, claro está,
especialmente em público.
Sei tudo isto sei
a desoras,
sem a sensatez do sono
peito a chocalhar
(Fazendo-me
forte na soleira de porta alheia,
será que o assustei devia talvez ter
dito dizer não tenhas medo
mas não
quase caía do abraço
de cócaras de cor
o toque abrindo a testa,
tudo tudo que não são palavras
meramente).
Desculpa a ironia
a porta do prédio batendo contra ti
a insistência e maiores medos
desculpa-me tudo
o que sentires cruel.
bem hajas pelo amor.
e eu também.
Depois em voz alta: viva a lei
do silêncio da cegueira do desenlace fatal da
distância do tempo do olvido das
coisas partilhadas sobre pontes e comboios
da porta da morte como muro
sob as drogas o silêncio de tudo
o que sabemos pelas tardes fora
separados
parecido cada um
sem nós.
2
(out. 07)
traço contínuo
sonho a dor
da tua falta
abandonado à noite
outro enredo em melodrama
encontro e fuga
excluída
para sempre
(só retórica)
do traçado
que repetes
no lugar ainda
da tua (vossa)
partida
sendo embora
o tempo fluxo
sobre nós
1
(mar. 07)
Além de borboletas
do ecrã teus olhos
no cais o comboio em fundo
passa até um homem desfocado
regulo a luz desta distância.
o amor:
como na BD
cresceu-nos
súbita
uma floresta
do peito!
tento agora perceber
o que resiste, embora
o encontro tivesse
manual de instrução
data marcada
futuro a três
porque quando voa a borboleta
asas ao alto
no outro lado do mundo
ou nos pousa sobre os olhos
breve acaso
turva o coração
às vezes.
conquistam porém
o espaço e tempo
quaisquer corações alterosos
caixas dentro de caixas
dentro de caixas
dentro de nós
com pessoas vivas
outras a vir
talvez repetidas
ou a mais
talvez exactas.
e por fim sou eu
quem sorri
digital
na estação
frente ao comboio de partida
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