Dec 18, 2007

estrela para nós




outro graffiti de lisboa. para pendurar ao peito.

detesto este natal

a agitação nervosa nas ruas, a iluminação excessiva, o trânsito como cobra infinita, soltando fumos no centro da cidade, as famílias felizes da publicidade, o ímpeto consumista, os pais natal baratos prometendo qualquer coisa, o imperativo de oferta, as lojas de chineses com prendas giras, o fim de stock anunciado...

este ano, as coisas tornaram-se mais fáceis. como não tenho dinheiro sequer para as contas (sendo embora moça trabalhadora quanto baste, embora com condições laborais mt precárias: além do recibo verde, os pagamentos ao final do semestre, como docente do ensino superior), descartei por completo o rol de familiares e amigos a serem agraciados com qualquer lembrança.

ser proletário intelectual sempre tem, afinal, as suas vantagens.

e para celebrar a luta, aqui deixo 3 cartazes do Maio de 68, fotografados como relíquia na biblioteca da mãe de um amigo.









Dec 17, 2007

as crianças da festa

estas são as crianças da festa. uma lição de alegria.

o lourenço, o bernardo, a marta e a matilde.




homem em chamas



um grafitti no Cais do Sodré, naquela zona secreta junto ao rio, com os pontões antigos que partilho com pescadores, antes de todo o espaço vir a ser ocupado por esplanadas (como imagino planificam já, sob o slogan de devolver aos lisboetas a zona ribeirinha).
alguém se lembra do pontão antigo, no espaço agora ocupado pelas infindáveis obras, junto ao largo?
que as chamas nos ateiem, pois.

Dec 16, 2007

domingo

domingar neste domingo
acordar tarde em casa da menina dos anos. bicicleta cortando o ar frio até ao rio, ler. concerto praça do comércio. amigos e amigos e amigos, depois de ontem ter sido um dia todo em festa.
ligo o aquecedor e deito-me cedo, no aconchego dos gatos a ronronar.

Dec 15, 2007

p.









3
(nov. 07)

Todos os Santos

Mote

Para onde vão os rios de Inverno
Quando desceu o amor dos beirais
Em forma de pássaro?


Amo ainda homens de coração
aberto (tri)angular aventuroso

combato o sono escrevendo
Amo homens de coração vasto
peito rasgado, digo

que afinal isto e aquilo
aqueloutro para cima
para os lados repiso
e entristeço

Pois tudo isto
para quê?

se já sabemos
teres tu falta de certezas
de palavras de sentido
e eu pouco recato.

Ora, se é comunhão
aquilo que nos une
desejo de contar
cantar até
mas só dizes
quando de repente
porque sim
naquele instante

e a mim sempre
(despudorada)
me apeteces

certeira queda

mais súbitas coisas
de um salto,
orelhudas rasteiras

e tudo tudo tudo
mais que sabes
e aquilo que escrevi
nos meus cadernos
sobre nós
hei-de escrever
ainda certamente.

Que não conheço o desamor
mas sei amar,

nem percebo teu orgulho circunspecto,
breve iluminado de olhar e gesto:
mas tocar o corpo não as mãos não os
lábios não o peito não nem os pés,
ou falar demais abrir os braços,
a evitar certos temas, claro está,
especialmente em público.

Sei tudo isto sei
a desoras,
sem a sensatez do sono
peito a chocalhar

(Fazendo-me
forte na soleira de porta alheia,
será que o assustei devia talvez ter
dito dizer não tenhas medo
mas não
quase caía do abraço
de cócaras de cor
o toque abrindo a testa,
tudo tudo que não são palavras
meramente).

Desculpa a ironia
a porta do prédio batendo contra ti
a insistência e maiores medos
desculpa-me tudo
o que sentires cruel.

bem hajas pelo amor.
e eu também.

Depois em voz alta: viva a lei
do silêncio da cegueira do desenlace fatal da
distância do tempo do olvido das
coisas partilhadas sobre pontes e comboios
da porta da morte como muro
sob as drogas o silêncio de tudo
o que sabemos pelas tardes fora
separados
parecido cada um
sem nós.





2
(out. 07)

traço contínuo


sonho a dor
da tua falta

abandonado à noite
outro enredo em melodrama
encontro e fuga

excluída
para sempre
(só retórica)
do traçado
que repetes
no lugar ainda
da tua (vossa)
partida

sendo embora
o tempo fluxo
sobre nós





1
(mar. 07)

Além de borboletas

do ecrã teus olhos
no cais o comboio em fundo
passa até um homem desfocado
regulo a luz desta distância.

o amor:
como na BD
cresceu-nos
súbita
uma floresta
do peito!

tento agora perceber
o que resiste, embora
o encontro tivesse
manual de instrução
data marcada
futuro a três

porque quando voa a borboleta
asas ao alto
no outro lado do mundo
ou nos pousa sobre os olhos
breve acaso
turva o coração
às vezes.

conquistam porém
o espaço e tempo
quaisquer corações alterosos
caixas dentro de caixas
dentro de caixas
dentro de nós
com pessoas vivas
outras a vir
talvez repetidas
ou a mais
talvez exactas.

e por fim sou eu
quem sorri
digital
na estação
frente ao comboio de partida
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